O
DESEMPENHO DA ARRECADAÇÃO DO ICMS E A PARTICIPAÇÃO DOS 200 MAIORES CONTRIBUINTES
NO RN EM 2003
Este relatório tem duplo objetivo: realizar uma análise do comportamento da arrecadação do Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado do Rio Grande do Norte no ano de 2003 e apresentar os 200 maiores contribuintes desse tributo no ano.
A análise da avaliação do comportamento da arrecadação é realizada em termos globais, quando então se relaciona os resultados alcançados no estado com os obtidos no país e na região, comparando-se os anos de 2002 e 2003. Também se relaciona o desempenho das atividades econômicas e o comportamento das receitas setoriais, estabelecendo as categorias da forma mais adequada possível aos dados agregados disponíveis.
A fonte dos dados macroeconômicos mencionados no texto é o IBGE (Contas Nacionais Trimestrais – Indicadores do IBGE, março 2004) enquanto os dados sobre a arrecadação do ICMS estão disponíveis na página do CONFAZ (www.fazenda.gov.br/confaz) disponibilizados pela Comissão Técnica Permanente do ICMS (COTEPE). Fontes locais de informação são explicitadas nas tabelas utilizadas.
As comparações entre os anos são feitas em valores nominais e reais, atualizando-se os valores correntes para o mês de dezembro de 2003, de acordo com a variação ocorrida no IPCA.
Dois alertas são importantes: o primeiro é que a comparação com o país e a região a partir dos dados disponíveis pode apresentar distorções devido aos valores informados incluírem dados provisórios. Outro decorre do fato de que os agrupamentos realizados com as empresas do estado nem sempre coincidem rigorosamente com os agregados macroeconômicos setoriais.
A
economia brasileira, em 2003, sofreu uma ligeira retração em relação ao ano
anterior, com o Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) recuando 0,2%,
resultante do crescimento de cerca de 5,0% da agropecuária, o encolhimento de
1,0% da indústria e um discreto recuo do setor serviços (-0,1%). Nas atividades
industriais, a indústria extrativa mineral cresceu 2,8%, a indústria de
transformação 0,7% e os serviços industriais de utilidade pública (SIUP)
cresceram 1,9%. As atividades de Construção Civil, entretanto, apresentaram
forte redução (-8,6%) no ano. Entre as atividades do Setor Serviços, as
atividades do Comércio (-2,6%) e Transportes (-0,8%) se retraíram, enquanto
Comunicações (0,1%), Instituições Financeiras (0,1%), Administração Pública
(0,5%) e Aluguel (0,9%) apresentaram crescimento.
O
gráfico 1 mostra que em todos os subsetores os resultados de 2003 foram
sistematicamente piores do que os obtidos em 2002. Os reflexos desse desempenho
sobre a arrecadação nacional do Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) se materializaram na forma de um recuo (-1,6%), em termos reais,
nos valores arrecadados do imposto. Considerados os valores atualizados, o total
arrecadado caiu de R$ 123,5 bilhões, em 2002, para 121,5 bilhões, em 2003. No
Nordeste, a queda da arrecadação foi mais acentuada (-2,0). No Rio Grande do
Norte, em 2003, a arrecadação do ICMS atingiu R$ 1.186.833.051 (Hum bilhão cento
e oitenta e seis milhões oitocentos e trinta e três mil e cinqüenta e um reais),
em valores nominais, e R$ 1.211.408.124 (Hum bilhão e duzentos e onze milhões
quatrocentos e oito mil e cento e vinte e quatro reais), em valores atualizados
pelo IPCA de novembro de 2003, o que representa um crescimento de 17% (dezessete
por cento) em valores nominais e 1,9% em valores
corrigidos.

2.
Análise Setorial
·
Metodologia
Mantendo
a metodologia utilizada anteriormente, os 200 maiores contribuintes foram
distribuídos em 15 grandes grupos, de acordo com seu grau de importância na
economia do estado, na arrecadação tributária e pela semelhança em suas
atividades.
1)
concessionárias
de serviços públicos de energia, água e telecomunicações;
2)
indústria têxtil de confecções e
calçados;
3)
indústria
de alimentos
4)
fabricação
de cimento;
5)
indústria, comércio, moagem e refino de
sal marinho;
6)
indústria e comércio de bebidas em
geral;
7)
comércio atacadista de alimentos e
utilidades em geral;
8)
comércio varejista de alimentos em
geral;
9)
comércio varejista de veículos novos e
usados e peças em geral;
10) combustíveis e lubrificantes de origem
vegetal e mineral;
11) comércio
varejista de material de construção e elétrico em geral;
12) comércio
varejista de confecções, calçados, perfumes e acessórios em
geral;
13) comércio
varejista de eletrodomésticos em geral;
14) comércio varejista e atacadista de
produtos farmacêuticos e hospitalares;
15) outras
atividades não especificadas.
Dentre
os segmentos analisados, oito superaram a média de crescimento nominal da
arrecadação estadual (17%): indústria têxtil, de calçados e confecções
(48,3%), combustíveis e lubrificantes de origem vegetal e mineral
(36,6%), comércio varejista de material de construção, elétrico em geral
(18,9%), comercio varejista de eletrodomésticos em geral (17,6%),
indústria e comércio de bebidas em geral (22,6%), indústria, comércio,
moagem e refino de sal marinho (39,6%), indústria de alimentos
(74,0%) e outras atividades não especificadas
(40,1%).
Por
outro lado, ficaram abaixo da média os grupos: concessionárias de serviços
públicos (7,6%), comércio atacadista de alimentos e utilidades em
geral (9,8%), comércio varejista de alimentos em geral (2,9%),
comércio varejista de veículos novos e usados e peças em geral (9,6%),
comércio varejista de confecções, calçados, perfumes e acessórios em
geral (15,7%), comércio varejista e atacadista de produtos farmacêuticos
e hospitalares (13,5%) e fabricação de cimento (5,2%). É importante
frisar que nenhum grupo apresentou resultado nominal negativo em relação a
2002.
§
Concessionárias
de Serviços Públicos
O
desempenho comparativo das empresas desse grupo reflete, em parte, o
comportamento agregado do setor em nível nacional que, embora positivo, foi
menor do que o obtido em 2002. Desagregando por atividades, verifica-se que o
segmento de Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP) - que reúne as
atividades de fornecimento de energia elétrica, gás encanado e água e esgotos -,
apresentou crescimento de 1,9%, em 2003, contra 3,0%, em 2002.
A
arrecadação de ICMS sobre o consumo de energia elétrica - única atividade para a
qual se dispõe de dados desagregados no país e a mais significativa deste
segmento - apresentou crescimento, em termos reais, de 4,7% em 2003 em relação a
2002 (R$12,36 bilhões e R$ 11,8 bilhões, respectivamente). No Nordeste
registrou-se crescimento de 3,6% no mesmo período e no Rio Grande do Norte,
contrariamente, ocorreu redução de 1,1% (R$ 91,9 milhões, em 2003, contra R$
92,9, em 2002).
A
COSERN, única empresa representativa desse segmento entre os 200 maiores
contribuintes, apresentou crescimento nominal de 11,62% na arrecadação do ICMS,
menor que a média de recolhimento estadual (17%) e que o observado na comparação
entre 2002 e 2001. Esse desempenho é explicado, em parte, pelo fato de que a
empresa, em 2002, recolheu R$ 2,441 milhões referentes à dívida de exercícios
anteriores. Excluindo-se esse valor do total recolhido em 2002, a comparação
resultaria em crescimento nominal de 15,11%, mais próxima da média de
recolhimento do estado.
No
caso do setor de Comunicações, a redução do crescimento real dessas atividades
observadas no país foi ainda mais significativa: 9,8%, em 2002, e 0,1%, em 2003.
Como conseqüência, a arrecadação real apresentou resultado negativo no Brasil
(-0,2%), com os valores caindo de R$ 15,05 bilhões, em 2002, para 15,02 bilhões
em 2003. Na região Nordeste, a queda foi mais acentuada (-9,9%). No Rio Grande
do Norte a queda também foi expressiva (-5,9%), com a arrecadação caindo de R$
130,3 milhões, em 2002, para 122,6 milhões, em 2003.
Como
resultado do desempenho de cada atividade esse grupo ficou abaixo da média da
arrecadação fazendo com que sua participação relativa no total arrecadado do
ICMS caísse de 20,0%, em 2002, para 18,5%, em 2003.
|
MAIORES
DO ICMS/2003 | |||||
|
Participação
por Segmento Econômico | |||||
|
Concessionárias
de Serviços Públicos | |||||
|
Empresas |
2001 |
2002 |
2003 |
03
X 01 |
03
x 02 |
|
COMPANHIA
ENERGETICA RIO GRANDE NORTE COSERN |
64.373.326,28 |
80.474.722,49 |
89.826.384,19 |
39,54% |
11,62% |
|
TELEMAR
NORTE LESTE S/A |
74.835.181,77 |
75.979.303,60 |
79.146.459,53 |
5,76% |
4,17% |
|
TELERN
CELULAR SA |
17.088.332,89 |
20.168.214,04 |
23.392.270,74 |
36,89% |
15,99% |
|
BSE
S/A - BCP |
10.772.770,76 |
12.528.433,80 |
12.910.666,95 |
19,85% |
3,05% |
|
EMPRESA
BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S A |
13.426.499,02 |
11.729.216,25 |
7.776.469,70 |
-42,08% |
-33,70% |
|
TNL
PCS AS - Oi |
107.233,74 |
1.871.138,73 |
4.051.056,75 |
3677,78% |
116,50% |
|
VESPER S A |
441.786,28 |
407.439,87 |
1.276.407,89 |
188,92% |
213,28% |
|
CABO
SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA |
208.973,86 |
507.725,11 |
759.089,12 |
263,25% |
49,51% |
|
Total
|
181.254.104,60 |
203.666.193,89 |
219.138.804,87 |
20,90% |
7,60% |
|
Participação
do Segmento x arrecadação total do RN |
19,9% |
20,0% |
18,5% |
|
|
|
Fonte:
Secretaria de Tributação |
|
|
|
|
|
Entre
as empresas, a TELEMAR NORTE-LESTE S/A, responsável por 61,2% do total de ICMS
recolhido nesse segmento, apresentou crescimento nominal, porém muito abaixo da
média estadual, repetindo perfomance observada no ano de 2002 em relação a 2001.
Entre
as que mais cresceram, se destacaram a VÉSPER S.A., a TNL PCS AS (OI) e a CABO
SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES, com crescimento nominal acima da média estadual,
enquanto a TELERN CELULAR S.A, segunda empresa em arrecadação no segmento, ficou
próxima à média estadual.
A
BSE S.A (BCP), apesar da variação nominal positiva não repetiu o desempenho do
ano anterior, apresentando crescimento nominal muito pequeno. Finalmente,
repetindo o comportamento de 2002, a Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A
(EMBRATEL), continuou apresentando variação nominal negativa no recolhimento do
tributo.
§
Indústria
de Transformação
A
indústria de transformação brasileira, no ano de 2003, cresceu 0,7%, muito
abaixo do verificado em 2002 (3,6%). Como resultado a arrecadação de ICMS no
país caiu 5,6%, em termos reais. Entretanto, no Nordeste e no estado do Rio
Grande do Norte, o resultado foi positivo, com a receita crescendo 2,6% e 2,4%,
respectivamente.
Não
estão disponíveis dados agregados para os anos de 2002/2003 da indústria e de
seus segmentos para as regiões e unidades da federação. Entretanto, utilizando a
variação anual das vendas como indicador do desempenho da indústria no estado
verifica-se que, no geral, ocorreu um recuo de 9,41% nas vendas em relação à
2002, contrastando com a estagnação nacional e com o crescimento da arrecadação.
Entre os gêneros industriais, somente os de minerais não-metálicos (19,43%) e de
vestuário (58,49%), tiveram resultados positivos.
(%)
|
Gêneros |
2003 | ||
|
1º
sem. |
2º
sem. |
No
ano | |
|
Extrativa
Mineral |
2,32 |
-7,17 |
-2,72 |
|
Minerais
Não-Metálicos |
41,43 |
5,76 |
19,43 |
|
Química |
4,47 |
-17,04 |
-8,10 |
|
Têxtil |
-33,18 |
-11,90 |
-22,27 |
|
Vestuário |
41,09 |
71,09 |
58,49 |
|
Produtos
Alimentares |
-11,90 |
-2,25 |
-6,52 |
|
Bebidas |
-28,58 |
-27,13 |
-27,85 |
|
Outros |
-27,25 |
-8,30 |
-18,03 |
|
Indústria
Geral |
-12,97 |
-6,39 |
-9,41 |
Fonte:
Indicadores Industriais FIERN
Deflator:
IPA-OG – Produtos Industriais – FGV (Base:
igual período do ano anterior)
Indústria
Têxtil, de Confecção e Calçados
Os
resultados positivos registrados nas vendas do segmento de vestuário, conforme
registrado acima refletiram sobre a
arrecadação de ICMS dessa indústria, fazendo com que apresentasse o segundo
maior crescimento em relação ao ano anterior (48,27%) entre os grupos
analisados. Assim, confirma-se a tendência de aumento na participação na
arrecadação estadual dessas atividades, que passou de 3,1%, em 2001, para 4,0%,
em 2002, e 5,1%, em 2003.
Com
exceção de uma empresa, todas as demais apresentaram crescimento nominal da
arrecadação maior que a média (17%) do estado. Deve-se registrar que o
crescimento espetacular da contribuição da empresa QUATRO K , decorrente de
recolhimentos atrasados que geraram cerca de R$ 5 milhões em arrecadação. A
VICUNHA NORDESTE S/A INDÚSTRIA TÊXTIL repetiu desempenho negativo semelhante ao
do ano de 2002. Com isso, de segunda maior contribuinte do setor têxtil passou a
ocupar a sexta posição no ranking das empresas do setor.
|
MAIORES
DO ICMS/2003 | |||||
|
Participação
por Segmento Econômico | |||||
|
Indústria
Textil de Confecções e Calçados | |||||
|
Empresas |
2001 |
2002 |
2003 |
03
X 01 |
03
x 02 |
|
GUARARAPES
CONFECÇÕES S/A |
3.128.026,77 |
10.865.190,97 |
15.348.077,27 |
390,66% |
41,26% |
|
VICUNHA
NORDESTE S/A INDUSTRIA TEXTIL |
6.321.734,05 |
6.933.091,18 |
5.134.039,05 |
-18,79% |
-25,95% |
|
COATS
CORRENTE LTDA |
8.079.984,72 |
6.793.469,25 |
9.906.240,40 |
22,60% |
45,82% |
|
SAO
PAULO ALPARGATAS S/A |
4.397.968,04 |
6.451.354,75 |
8.952.635,39 |
103,56% |
38,77% |
|
COMPANHIA
DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTEMINAS |
265.447,00 |
3.955.773,76 |
6.011.603,64 |
2164,71% |
51,97% |
|
CAPRICORNIO
S A |
781.679,48 |
1.762.402,98 |
4.442.581,02 |
468,34% |
152,08% |
|
R
M NOR DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA |
1.336.819,31 |
1.647.350,72 |
2.321.769,11 |
73,68% |
40,94% |
|
BONOR
INDUSTRIA DE BOTÕES DO NE S A |
1.657.428,22 |
1.594.415,21 |
1.891.136,16 |
14,10% |
18,61% |
|
ALEXFA
INDUSTRIA E COMERCIO LTDA |
263.885,42 |
501.891,58 |
780.222,90 |
195,67% |
55,46% |
|
MAC
CLEM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LT |
251.163,77 |
318.450,32 |
502.772,05 |
100,18% |
57,88% |
|
QUATRO
K TEXTIL LTDA |
1.698.907,43 |
166.418,13 |
5.485.491,62 |
222,88% |
3196,21% |
|
Total
|
28.183.044,21 |
40.989.808,85 |
60.776.568,61 |
115,65% |
48,27% |
|
Participação
do Segmento x arrecadação total do RN |
3,1% |
4,0% |
5,1% |
|
|
|
Fonte:
Secretaria de Tributação |
|
|
|
|
|
§
Indústria
de Alimentos
Apesar
da queda de 6,52% no valor real das vendas apontada acima, este segmento foi
responsável pelo maior crescimento em relação ao ano anterior (74,05%), o que
fez com sua participação no total da arrecadação de ICMS aumentasse de 1,7 para
2,6%.
|
MAIORES DO
ICMS/2003 | |||||
|
Participação
por Segmento Econômico | |||||
|
Indústria
de Alimentos | |||||
|
Empresas |
2001 |
2002 |
2003 |
03 X
01 |
03 x
02 |
|
M DIAS
BRANCO S A COMERCIO E INDUSTRIA |
5.976.959,96 |
11.373.188,61 |
16.117.696,11 |
169,66% |
41,72% |
|
USINA
ESTIVAS S A |
7.685.170,81 |
4.136.922,23 |
5.784.092,25 |
-24,74% |
39,82% |
|
SANTA
CLARA IND E COM DE ALIMENTOS LTDA |
0,00 |
0,00 |
5.848.798,66 |
- |
- |
|
A
FERREIRA IND COM E EXPORTACAO LTDA |
285.265,80 |
320.019,79 |
519.768,62 |
82,21% |
62,42% |
|
SIMAS
INDUSTRIAL DE ALIMENTOS S/A |
27.508,40 |
73.939,27 |
726.936,59 |
2542,60% |
883,15% |
|
PARMALAT BRASIL S A INDUSTRIA
DE ALIMENTOS |
1.090.929,15 |
870.913,81 |
745.666,69 |
-31,65% |
-14,38% |
|
USIBRAS USINA BRAS DE OLEOS E
CASTANHA LTDA |
835.133,23 |
698.972,45 |
670.907,03 |
-19,66% |
-4,02% |
|
Total
|
15.900.967,35 |
17.473.956,16 |
30.413.865,95 |
91,27% |
74,05% |
|
Participação
do Segmento x arrecadação total do RN |
1,7% |
1,7% |
2,6% |
|
|
|
Fonte:
Secretaria de Tributação |
|
|
|
|
|
Há
uma grande concentração da arrecadação na indústria, uma vez que o maior
contribuinte responde por cerca de 53% do total arrecadado e seu desempenho em
2003 foi muito positivo, tendo crescido 41,72% em relação a 2002. Outros
resultados importantes foram a reversão do comportamento da arrecadação da USINA
ESTIVAS, embora permaneça com arrecadação menor que a observada em 2001, a
arrecadação da SANTA CLARA IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA, inexistente até então,
e o crescimento do recolhimento da SIMAS INDUSTRIAL DE ALIMENTOS S/A (883,15%).
Os destaques negativos ficam por conta da PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE
ALIMENTOS, pelos problemas enfrentados pela empresa no ano de 2003 e da USIBRAS
– USINA BRASILEIRA DE OLEOS E CASTANHA LTDA, que repetiu desempenho negativo do
ano anterior.
·
Indústria
de minerais não-metálicos - Empresas Fabricantes de
Cimento
A
produção da indústria de minerais não-metálicos está intimamente associada ao
desempenho da construção civil, pois engloba a produção de cimento, cerâmicas,
vidros, artefatos de concreto, gesso, fibrocimento, entre outros
produtos.
A
indústria brasileira da Construção Civil apresentou uma redução real de 8,6% em
2003, comparada ao ano anterior. No estado, esse gênero industrial apresentou
variação real positiva das vendas em 2003 (19,43%).
Entre
os 200 maiores contribuintes do ICMS pertencentes a esse gênero industrial no
Rio Grande do Norte, encontram-se as empresas produtoras de cimento. Em termos
nominais esse segmento apresentou o segundo pior desempenho dentre os grupos
analisados, com 5,21% de aumento em relação ao ano anterior. Como resultado, sua
participação no total arrecadado do ICMS dentre os 200 maiores contribuintes
apresentou um decréscimo de 1,7%, em 2002, para 1,5%, em 2003, voltando ao nível
de 2001.
|
MAIORES DO
ICMS/2003 | |||||
|
Participação
por Segmento Econômico | |||||
|
Fábrica de
Cimento | |||||
|
Empresas |
2001 |
2002 |
2003 |
03 X
01 |
03 x
02 |
|
ITAPETINGA AGRO INDUSTRIAL S
A |
7.923.704,75 |
10.161.579,79 |
11.807.299,45 |
49,01% |
16,20% |
|
CIMENTO POTY S/A |
2.512.524,54 |
3.595.460,31 |
2.492.594,21 |
-0,79% |
-30,67% |
|
GERDAU S A |
1.604.983,77 |
2.164.586,92 |
2.533.959,18 |
57,88% |
17,06% |
|
ITAPESSOCA AGRO INDUSTRIAL
S/A |
1.266.395,82 |
961.824,26 |
928.431,96 |
-26,69% |
-3,47% |
|
Total
|
13.307.608,88 |
16.883.451,28 |
17.762.284,80 |
33,47% |
5,21% |
|
Participação
do Segmento x arrecadação total do RN |
1,5% |
1,7% |
1,5% |
|
|
|
Fonte:
Secretaria de Tributação |
|
|
|
|
|
Entre
as características do setor também está o alto grau de concentração, pois o
maior contribuinte responde por mais de dois terços do total arrecadado. Seu
desempenho abaixo da média do estado, somado à forte queda da arrecadação da
empresa CIMENTO POTY S/A e da ITAPESSOCA AGROINDUSTRIAL S/A (cujas arrecadações
se encontram abaixo das observadas em 2001), foi responsável pelo resultado do
segmento.
§
Indústria,
Comércio, Moagem e Refino de Sal Marinho
A
indústria extrativa mineral – que engloba a extração de petróleo, gás natural,
minerais metálicos e não-metálicos, representa parcela considerável do PIB do
estado. Em nível nacional foi o setor que apresentou o segundo melhor desempenho
em 2003 (2,8%), ficando atrás somente das atividades agropecuárias. A variação
anual real das vendas desse setor no estado foi negativa em relação a 2002
(-2,72%).
As
atividades de extração, moagem e refino de sal marinho fazem parte dessa
indústria e tem no estado do Rio Grande do Norte o maior produtor nacional.
Responsável
em 2002 pelo pior desempenho dentre todos os grupos analisados, com variação de
apenas 1,06% em relação a 2001, o segmento mostrou em 2003 aumento nominal
significativo (39,58%) comparado ao ano anterior. Tal resultado fez com que sua
participação na receita total de ICMS estadual apresentasse um incremento de
1,5% para 1,8%.
|
MAIORES DO
ICMS/2003 | |||||
|
Participação
por Segmento Econômico | |||||
|
Indústria,
Comércio, Moagem e Refino de Sal Marinho | |||||
|
Empresas |
2001 |
2002 |
2003 |
03 X
01 |
03 x
02 |
|
COMPANHIA NACIONAL DE ALCALIS
|
3.714.850,28 |
3.441.160,02 |
682.953,89 |
-81,62% |
-80,15% |
|
NORTE
SALINEIRA SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO |
3.127.512,80 |
2.645.495,52 |
4.196.406,88 |
34,18% |
58,62% |
|
F
SOUTO INDUSTRIA COMERCIO E NAVEGAÇÃO S A |
1.648.693,33 |
2.088.200,21 |
2.256.150,95 |
36,84% |
8,04% |
|
SALINA
DIAMANTE BRANCO LTDA |
950.492,72 |
2.004.215,13 |
2.451.578,53 |
157,93% |
22,32% |
|
CIMSAL
- COM IND MOGEM E REF SANTA CECILIA LTDA |
1.182.896,64 |
875.986,62 |
1.925.495,85 |
62,78% |
119,81% |
|
FROTA
OCEANICA E AMAZONICA S/A |
1.204.225,94 |
802.743,37 |
863.263,75 |
-28,31% |
7,54% |
|
DINASAL DISTRIB E IND NACIONAL
DE SAL LTDA |
436.197,49 |
706.721,06 |
903.637,95 |
107,16% |
27,86% |
|
CIEMARSAL COMÉRCIO, INDÚSTRIA E
EXP DE SAL LTDA |
686.170,75 |
682.335,42 |
1.147.557,05 |
67,24% |
68,18% |
|
SERV
SAL DO NORDESTE COM E REP E TRANSP LTDA |
637.222,23 |
609.967,37 |
1.226.598,41 |
92,49% |
101,09% |
|
REFIMOSAL REFIN MOAGEM SAL
SANTA HELENA LTDA |
604.021,48 |
486.456,92 |
1.052.255,91 |
74,21% |
116,31% |
|
SALINOR SALINAS DO NORDESTE
S/A. |
88,00 |
0,00 |
2.973.089,66 |
-- |
- |
|
SOCEL SOCIEDADE OESTE
LTDA |
509.853,42 |
402.347,85 |
637.368,44 |
25,01% |
58,41% |
|
L PRAXEDES GOMES |
589.269,69 |
352.859,52 |
769.175,63 |
30,53% |
117,98% |
|
TORRALBA & PUPIM
LTDA |
479.248,84 |
400.560,00 |
547.690,28 |
14,28% |
36,73% |
|
Total
|
15.770.743,61 |
15.499.049,01 |
21.633.223,18 |
37,17% |
39,58% |
|
Participação
do Segmento x arrecadação total do RN |
1,7% |
1,5% |
1,8% |
|
|
|
Fonte:
Secretaria de Tributação |
|
|
|
|
|
Entre
as empresas, registra-se um grande crescimento da CIMSAL- Comércio, Indústria,
Moagem e Refinaria Santa Cecília Ltda, L Praxedes Gomes, REFIMOSAL – Refinaria e
Moagem Sal Santa Helena Ltda, SERV SAL do Nordeste Comércio e Representação e
Transporte Ltda. O resultado negativo apresentado pela COMPANHIA NACIONAL DE
ALCALIS é oriundo da substituição de sua inscrição para SALINOR SALINAS DO
NORDESTE a partir de maio de 2003. Observe-se que a soma dos valores arrecadados
nessas duas inscrições – R$ 3.656.043,55 – é 6,2% maior que o arrecadado em
2002, mas insuficiente para que a empresa continue como a principal contribuinte
do segmento, sendo superada pela NORTE SALINEIRA S.A INDÚSTRIA E
COMÉRCIO.
§
Indústria
e Comércio de Bebidas em Geral
Em
relação às vendas reais em 2003, esta indústria foi a que apresentou a maior
redução (-27,85%) entre os gêneros pesquisados no estado. Entretanto, a
arrecadação estadual de ICMS do grupo apresentou crescimento acima da média
estadual, além de crescimento continuado em sua participação no total do ICMS
recolhido no Rio Grande do Norte (2,5%, 2,6% e 2,8% em 2001, 2002 e 2003,
respectivamente).
|
MAIORES DO
ICMS/2003 | |||||
|
Participação
por Segmento Econômico | |||||
|
Indústria
e Comércio de Bebidas em Geral | |||||
|
Empresas |
2001 |
2002 |
2003 |
03 X
01 |
03 x
02 |
|
COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS
(ANTARCTICA) |
12.101.466,33 |
14.254.193,29 |
19.758.281,03 |
63,27% |
38,61% |
|
NORSA
REFRIGERANTES LTDA/POTY REFRIGERANTES LTDA |
6.031.432,65 |
6.248.910,20 |
6.337.969,30 |
5,08% |
1,43% |
|
VALE
DAS PALMEIRAS DIST BEB E TRANSP CARGAS LT |
1.238.987,91 |
1.649.537,75 |
1.640.555,57 |
32,41% |
-0,54% |
|
COBENE-COMERCIO DE BEBIDAS
NORDESTE LTDA |
0,00 |
101.962,74 |
518.199,69 |
- |
408,22% |
|
INDAIA
BRASIL AGUAS MINERAIS LTDA |
852.368,31 |
1.130.009,31 |
1.198.309,31 |
40,59% |
6,04% |
|
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SÃO
PEDRO NORTE LTDA |
738.679,13 |
1.096.826,38 |
1.081.700,60 |
46,44% |
-1,38% |
|
LUIZ
PAULA & CIA LTDA |
761.097,44 |
745.901,12 |
591.588,19 |
-22,27% |
-20,69% |
|
DISBECOL DISTRIBUIDORA DE
BEBIDAS CAICÓ LTDA |
761.995,51 |
555.110,76 |
585.144,49 |
-23,21% |
5,41% |
|
CIRNE
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA |
358.963,14 |
519.263,67 |
565.989,11 |
57,67% |
9,00% |
|
SIDORE
IND COM DE REFRIGERANTES LTDA |
374.999,71 |
469.491,93 |
531.490,13 |
41,73% |
13,21% |
|
Total
|
23.219.990,13 |
26.771.207,15 |
32.809.227,42 |
41,30% |
22,55% |
|
Participação
do Segmento x arrecadação total do RN |
2,5% |
2,6% |
2,8% |
|
|
|
Fonte:
Secretaria de Tributação |
|
|
|
|
|
O
desempenho do grupo, entretanto, está diretamente relacionado ao comportamento
da arrecadação da COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS – AMBEV, que sozinha respondeu
por 60% da arrecadação da indústria e cujo acréscimo em relação a 2002 (R$ 5,5
milhões) praticamente correspondeu ao crescimento
observado.
Setor
Terciário
No
Setor Terciário estão concentradas as atividades de Serviços, muitas das quais
são isentas do pagamento do tributo. Entre as principais, em termos da
arrecadação do ICMS, estão o Comércio – atacadista e varejista -, as
Comunicações (comentadas anteriormente), Transportes, Comércio de Combustíveis e
Lubrificantes de Origem Vegetal e Mineral e Outras Atividades. Os dados
agregados para o Brasil, indicam que as
principais atividades econômicas do setor, em 2003, apresentaram crescimento
negativo e pior que do ano de 2002. O Comércio, com –2,6% apresentou o pior
desempenho, seguido de Transportes (-0,8%) e Outros Serviços (-0,5%).
QUADRO
3. FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
NORTE
PESQUISA
CONJUNTURAL DO COMÉRCIO VAREJISTA
Faturamento
Real
Dezembro/2003
|
GRUPOS/ATIVIDADES |
Índice
Jan/2002 = 100 |
Variação
% | ||
|
Dez03/
Nov03 |
Dez03/
Dez02 |
JanDez03/
Jan-Dez02 | ||
|
|
|
|
|
|
COMÉRCIO GERAL |
113,28 |
20,47 |
5,26 |
-6,21 |
|
COMÉRCIO
S/CONCESSIONÁRIAS |
119,33 |
21,02 |
6,29 |
-3,91 |
|
VAREJO BENS DE
CONSUMO |
113,93 |
24,55 |
5,05 |
-8,86 |
|
|
|
|
|
|
|
DURÁVEIS |
89,01 |
15,72 |
-4,63 |
-20,43 |
|
Móveis e
decorações |
110,35 |
16,94 |
-4,84 |
-22,63 |
|
Lojas de
Utilidades Domésticas |
90,96 |
14,87 |
0,83 |
-17,36 |
|
Cine
- Foto - Som |
73,97 |
17,71 |
-13,73 |
-25,67 |
|
Óticas |
154,82 |
7,10 |
26,97 |
31,61 |
|
|
|
|
|
|
|
SEMIDURÁVEIS |
172,70 |
46,28 |
23,72 |
0,81 |
|
Vestuário
- BSD |
221,54 |
50,54 |
48,77 |
16,92 |
|
Tecidos |
119,06 |
40,20 |
-0,89 |
-23,72 |
|
Calçados |
151,35 |
42,72 |
2,52 |
-2,85 |
|
|
|
|
|
|
|
NÃO
DURÁVEIS |
106,21 |
19,38 |
1,52 |
-8,45 |
|
|
|
|
|
|
|
Supermecados |
105,18 |
17,58 |
2,67 |
-8,37 |
|
Mercados,
Mercadinhos e Panificadoras |
90,39 |
8,09 |
-26,90 |
-16,10 |
|
Farmácias
e Perfumarias |
118,85 |
31,21 |
14,20 |
-4,16 |
|
|
|
|
|
|
|
COMÉRCIO
AUTOMOTIVO |
88,45 |
18,49 |
5,11 |
-17,65 |
|
Concessionárias
de Veículos |
75,15 |
15,58 |
-2,65 |
-23,19 |
Autopeças e acessórios |
141,11 |
26,49 |
29,49 |
-0,02 |
|
|
|
|
|
|
|
COMBUSTÍVEIS E
LUBRIFICANTES |
144,04 |
13,21 |
-2,35 |
17,20 |
|
|
|
|
|
|
|
MATERIAIS DE
CONSTRUÇÃO |
114,71 |
11,29 |
25,75 |
-5,48 |
Fonte: FCER/Instituto do
Comércio
Considerando
a arrecadação do setor terciário como a soma dessas atividades, o resultado de
2003, em termos reais, foi negativo para o Brasil (-1,4%) e para o Nordeste
(-6,7%) e positivo para o Rio Grande do Norte (3,9%). Esse desempenho positivo
não está de acordo com a variação nas vendas do comércio em geral, segundo dos
dados da FECOMÉRCIO apresentadas no Quadro 2, que acompanham o resultado
nacional e são negativas em termos agregados (-6,21%). Saliente-se que esse
resultado é corroborado pela Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, que constatou
uma variação acumulada negativa de -8,26% no mesmo período.
·
Comércio
Atacadista de Alimentos e Utilidades em Geral
A
arrecadação de ICMS do segmento do Comércio Atacadista, em 2003, apresentou
crescimento real de 5,3% no Brasil comparado ao ano de 2002. No Nordeste,
entretanto, ocorreu queda na arrecadação real (-8,1%), enquanto no Rio Grande do
Norte o resultado foi positivo e maior que o do país (7,8%).
Considerando
a metodologia adotada na formação do grupo de empresas para efeitos comparativos
dos últimos anos, observa-se que este grupo apresentou variação nominal da
receita (9,8%) bastante abaixo da média estadual (17%), perdendo participação
relativa em relação à arrecadação total do estado, caindo de 4,6%, em 2002, para
4,3%, em 2003.
|
MAIORES
DO ICMS/2003 | |||||
|
Participação
por Segmento Econômico | |||||
|
Comércio
Atacadista de Alimentos e Utilidades em Geral | |||||
|
Empresas |
2001 |
2002 |
2003 |
03
X 01 |
03
x 02 |
|
MAKRO
ATACADISTA SOCIEDADE ANONIMA |
6.179.139,02 |
5.616.457,72 |
6.467.821,19 |
4,67% |
15,16% |
|
UVIFRIOS
DISTRIBUIDOR ATACADISTA LTDA |
4.077.747,01 |
4.926.436,76 |
4.926.967,15 |
20,83% |
0,01% |
|
RIOGRANDENSE
DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA |
4.110.421,57 |
3.260.518,06 |
2.747.145,58 |
-33,17% |
-15,75% |
|
CASA
NORTE LTDA |
2.700.949,38 |
3.081.049,53 |
2.219.261,59 |
-17,83% |
-27,97% |
|
CIRNE
IRMAÕS & CIA LTDA |
1.626.584,79 |
2.858.511,43 |
2.183.454,91 |
34,24% |
-23,62% |
|
DISTRIBUIDORA
DE CARAMELOS NATAL LTDA |
1.919.727,22 |
2.561.371,62 |
2.377.336,76 |
23,84% |
-7,19% |
|
PRESTIGIO
DISTRIBUIDORA DE CHOCOLATES LTDA |
2.709.612,12 |
2.394.165,11 |
2.606.270,42 |
-3,81% |
8,86% |
|
DIA
DISTRIBUIDORA INTERNAC DE ALIMENTOS LTDA |
2.768.093,94 |
1.695.169,52 |
1.418.769,61 |
-48,75% |
-16,31% |
|
MARTINS
COMERCIO E SERVICOS DE DISTRIBUICAO SA |
1.590.834,68 |
1.641.233,14 |
3.484.340,13 |
119,03% |
112,30% |
|
DAB
DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS E BEBIDAS LTDA |
| ||||